sexta-feira, 28 de maio de 2010

Lâmpadas usadas exigem destinação ambientalmente correta

Quem acredita que preservação ambiental e sustentabilidade são ‘modernidades’ e assuntos dos outros está totalmente enganado. Por exemplo, muita gente, influenciada por uma matéria ou propaganda, já trocou a iluminação de casa por lâmpadas econômicas. Mas, e quando elas queimam? Qual o destino que é dado a esse material? Onde as lâmpadas vão parar?

Um dos destinos (ou o melhor destino que se conhece) é a reciclagem. Um processo que tem muito mais peculiaridades que se pode imaginar. O biólogo Eduardo Sebben, diretor superintendente da Brasil Recicle, de Santa Catarina, argumenta: “O tratamento de lâmpadas é um negócio muito sério, pois estamos falando de um dos produtos mais perigosos no meio ambiente, que é o mercúrio.”

Sebben marcou presença com a sua empresa na Fiema Brasil, de Bento Gonçalves, pela segunda vez. A ideia foi mostrar na edição 2010 da feira os serviços e as tecnologias desenvolvidas para essa área de reciclagem de lâmpadas. Na entrevista a seguir o biólogo e empresário fala desse e outros assuntos.


- Qual o momento atual da Brasil Recicle? Quais os principais projetos desenvolvidos no momento e a curto prazo?

A Brasil Recicle está vivendo um dos momentos mais importantes da sua história, pois recentemente mudou o quadro administrativo, modernizou a gestão, renovou a filosofia de trabalho e melhorou ainda mais os diferenciais técnicos fundamentais no setor em que atua. Também associou-se a um de seus maiores concorrentes, a Apliquim, de São Paulo, para estruturar-se naquele mercado e dispor da melhor tecnologia do Brasil para recuperação do mercúrio contido nas lâmpadas.

Os principais projetos desenvolvidos atualmente são a unificação das empresas, adotando as melhores práticas de cada uma delas e aprimoramento dos controles ambientais. A curto prazo pretendemos ampliar nossa atuação, fazendo com que mais empresas contem com uma destinação correta para as lâmpadas fluorescentes. Além da conscientização ambiental sobre o problema.


- Tecnologicamente, qual o nível de desenvolvimento do setor onde a empresa atua?

Bom, esta é a grande preocupação da Brasil Recicle, pois o cliente hoje não está interessado em tecnologia, e sim, em preço. Consequência da desordem do mercado, e também porque existem muitas empresas dizendo que fazem “milagres”. E, como não há consciência sobre o tema, muitos acabam por acreditar que todos detém a melhor solução para o descarte de lâmpadas, ainda mais cobrando o menor preço.
Além disso, a proliferação dos equipamentos “papa-lâmpadas” também tem influenciado no problema. Muitos acham que o descarte termina ali, mas é uma solução parcial, pois, depois de trituradas, as lâmpadas e todo resíduo restante são destinados para aterro, incluindo os filtros contendo mercúrio. O tratamento de lâmpadas é um negócio muito sério, pois estamos falando de um dos produtos mais perigosos no meio ambiente, que é o mercúrio.

A Brasil Recicle está lutando para melhorar esse cenário, esforçando-se em explicar para a sociedade a complexidade do processo e os controles ambientais necessários. Inclusive, estamos entrando em contato com os órgãos ambientais estaduais, solicitando explicação do por quê de as exigências serem diferentes para as recicladoras. As regras variam de estado para estado. Para dar uma ideia, “papa-lâmpadas” em alguns estados são dispensados de licenciamento ambiental, por ser móvel. Como pode uma fonte móvel de poluição estar sujeita a esses critérios?

- Como é hoje o cenário ambiental ao qual a Brasil Recicle está vinculada? É de expansão na preocupação ambiental e da sustentabilidade?

É alarmante. Nem 10% das lâmpadas fluorescentes consumidas no Brasil têm um destino adequado. E o seu uso está aumentando, principalmente em virtude das lâmpadas compactas. Isso significa que mais de 150 milhões de lâmpadas sofrem um destino indevido. E o que é pior, desconhecido. Muitas acabam nos aterros dos municípios, contaminando-os com mercúrio. Ou estão estocadas.

A destinação correta de lâmpadas ainda depende muito das iniciativas individuais de empresas, ou pessoas conscientes. Ninguém quer pagar a conta, aguardando que ela vá para o fabricante/importador. Porém, o processo não é tão simples, principalmente em virtude da dimensão geográfica brasileira. Mas, mesmo na Europa, isso foi resolvido recentemente, apenas.

Por isso a Brasil Recicle tem buscado aumentar sua atuação no mercado, e, cada vez mais, a sustentabilidade na sua estratégia de negócio, reciclando vidro, alumínio e principalmente o mercúrio. Estamos buscando também a conscientização de que toda lâmpadas fluorescente contém mercúrio, o que não é sabido pela maioria das pessoas.

- A Brasil Recicle voltou a ser expositora na Fiema Brasil. O que representou a participação anterior e o que o grupo espera da feira de 2010?

As feiras ambientais são imprescindíveis para a disseminação das alternativas tecnológicas voltadas para os resíduos gerados. E sempre representam um bom momento para divulgarmos nossas soluções, estreitarmos nossas relações com clientes, e, principalmente, apresentarmos o nosso processo e diferenciais técnicos.
Esperamos em 2010, contribuir para a realização de um grande evento, fazendo com que o nosso mercado seja cada vez mais valorizado no Brasil. Estamos caminhando ainda nesse processo, por isso a relevância da ocorrência periódica da Fiema.

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