quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Pesquisadora dá um passo na cura do câncer


Uma substância presente no veneno de certas serpentes é capaz de impedir o surgimento de metástases, tumores secundários formados pela migração de células cancerosas. A pesquisa foi desenvolvida pela bolsista de Produtividade em Pesquisa do CNPq, Thereza Christina Barja-Fidalgo, professora da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), do Laboratório de Farmacologia Bioquímica e Celular do Instituto de Biologia Roberto Alcântara Gomes (IBRAG).

Thereza Christina e uma equipe de cientistas comprovaram que proteínas isoladas do veneno de serpentes, as desintegrinas, reduzem a capacidade de ativação e de migração das células cancerígenas.

Ao trabalhar com desintegrinas purificadas do veneno de cobras como a Bothrops jararaca, espécie muito comum no Brasil e as serpentes asiáticas Agkistrodon rhodostoma e Trimeresurus flavoviridis, a professora e seu grupo observaram que estas estruturas são capazes de reduzir significativamente a proliferação e a migração de células de um tipo de melanoma, altamente metastásico em camundongos.

"A metástase do melanoma se dá por meio do sangue. Quanto mais vascularizado o órgão, maiores são as chances de as células tumorais proliferarem, atingindo os pulmões, por exemplo", aponta Thereza Christina. Os pesquisadores concluíram que a ação das desintegrinas diminui as chances de formação de novos tumores, além de reduzir a atividade das células do melanoma, inibindo o crescimento acelerado do tumor.



Ação bloqueadora:

A proliferação e a sobrevivência da célula cancerosa depende da sua capacidade de aderir a outras células e migrar dentro do organismo. Para que isso ocorra, é necessária que ocorra a interação entre as próprias células, que é feita por proteínas da família das integrinas e seus ligantes na matriz extracelular. As integrinas, uma vez reconhecendo seus ligantes, enviam sinais intracelulares que alteram o comportamento das células e influenciam na migração celular, no ciclo e na morte celular.

As desintegrinas têm em sua estrutura molecular elementos muito semelhantes aos de proteínas da matriz extracelular. E exatamente por causa dessa semelhança, a desintegrina "engana" a célula cancerosa interagindo com a integrina e impedindo sua associação às proteínas de matriz e, portanto, a migração do tumor e a transmissão de sinais intracelulares

Embora nos experimentos com camundongos as desintegrinas tenham se mostrado promissoras na terapia antitumoral e antimetastásica, a professora diz que estas proteínas devem ser encaradas como protótipos para o desenho de novas drogas, capazes de reproduzir tais efeitos em humanos, pois sua obtenção a partir de veneno bruto ainda é cara e de pouco rendimento.


"O veneno das cobras é uma matéria-prima muito cara. Estamos tentando obter fontes mais baratas de desintegrinas, criando bactérias capazes de produzir essas proteínas responsáveis pela ligação seletiva a integrinas, obtendo assim uma fonte barata da substância", afirma Thereza.

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