segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Deus não existe, mas está vivo ! ( visão de um ateu)


Eu sei, só um chato como eu para relembrar isto justo nesta época de festas e confraternização. Mas é preciso. Deus é a criação mais nefasta e hedionda da humanidade. São incontáveis as evidências de que Deus não existe. De que ele só existe, e está muito vivo, como fantasia na cabeça das almas alienadas ou desesperadas, especialmente nesta época de festas. São incontáveis, também, os motivos pelos quais temos de dar um basta nisso, se o que desejamos mesmo é salvar a humanidade e a vida no Planeta, prestes a sucumbir.

Escorado nas religiões, Deus aí está apenas para anestesiar as individualidades. Não deixar que elas se rebelem e se revoltem. O certo, para Deus, é a ordem vigente, as leis, normas e regras em vigor. São os “bons costumes”, a moral e a ética nos impostas pela sociabilidade, essa que temos hoje regida pelo capital e que deseja se perpetuar sem obstáculos. Respeitar Deus é respeitar as normas e regras dessa sociabilidade. Quem não as respeita não é praticante do bem, logo, não respeita Deus. E corre o risco até de morrer apedrejado, como Sakineh.

Acontece que respeitar as leis, normas e regras vigentes é compactuar com a ordem estabelecida, mais do que isso, é acobertá-la. E essa ordem que aí está nada mais é que a assentada na lógica do capital. Sabemos que o capitalismo já salvou uma a humanidade no passado, ao derrotar o velho e nos brindar com o novo, o progresso. Mas sabemos também que ele já entrou em fase de esgotamento e, no momento, traz muito mais destruição e devastação do que avanço.

Pior, assentadas no roubo em escala de força de trabalho, o maior dos crimes de lesa-humanidade, as forças do capital concorrem hoje para acabar com a vida no Planeta. Se não fizermos nada para conter isso, poderemos ter a Terra sem nenhum ser vivo muito em breve. Daí as rebeliões a que temos assistido há mais de dois séculos. E Deus, amparado por todas as religiões, aí está unicamente para impedir que essas revoltas tomem corpo e se alastrem. Deus é conservador e repressivo, mais, é também torturador.

É por isso que toda crítica séria à sociabilidade que aí está começa pela crítica à religião, portanto, pela crítica à noção de Deus, o maior feitor de “panos quentes” da História da humanidade. Foi o homem que inventou Deus, não o contrário. E essa invenção não passa de nossa mais insidiosa obra de ficção.

O mínimo que um ser humano decente pode ser, hoje, é ateu. Ou seja, intransigente. Acreditar em Deus é estar em permanente anestesia para a crítica, logo, para as rebeliões contra o verdadeiro mal. Crer em Deus é garantir a perpetuação dessa destruição e devastação que nos é diariamente imposta. É praticar o mal em vez de praticar o bem, muito ao contrário do que normalmente se propala.

Não esqueça: nossas maiores desgraças aconteceram em nome de Deus, provocadas por religiosos. Os 600 anos de Santa Inquisição e as guerras santas promoveram o maior dos holocaustos, por obra das mais insidiosas formas de tortura, a maioria inventada e praticada por quem mais acreditava em Deus.

Hitler, que engendrou outro holocausto, também era religioso e agia em nome de Deus, acobertado pela Igreja Católica. Em suma, todas as guerras foram levadas a cabo por quem acreditava em Deus e em nome de Deus.

Assim, hoje, Deus e a religião, incluindo todas as seitas, formam a real indústria da perversidade, o verdadeiro eixo do mal, onde se locupletam os gângsteres dos dízimos e esmolas, desde os CDs de DVDs de Padre Marcelo até os milagres de Edir Macedo, incluídos aí todos os pastores evangélicos, sacerdotes e santos católicos.

O mundo religioso sempre foi, historicamente, o da crueldade requintada, das torturas e das condenações à morte. Ainda está em tempo de você se livrar dele. Até porque já há provas cabais de que a religião não só é tudo isso, como também se estrutura em algo que não tem existência concreta, Deus, essa força repressiva, violenta e anestesiante, hoje poderosa arma nas mãos do establishment, cultuada e alimentada à exaustão pelo capital.

Há zilhares de provas científicas de que a religião não passa de um mal necessário a serviço da conservação da sociabilidade que aí está. Há também provas incontestáveis de que Deus não existe nem tem como existir e de que ser temente a Deus é temer a mudança do que mais urgentemente precisa ser mudado. De que Deus aí está só para emperrar, castrar, atrapalhar e abortar o avanço, na condição de maior “empata-empata” de todos os tempos, daí ser tão necessário às forças conservadoras, que o idolatra.

Falo desse Deus concebido pelas religiões, onisciente, onipresente e onipotente. Desse design superior e inteligente do criacionismo, supostamente o projetista e o arquiteto do Universo e da vida.

Semanas atrás, fui agraciado com uma nova prova da inexistência de Deus. O presente me foi dado pelo neotéfilo (amigo e ajudante dos jovens), fortalezense, flamenguista e católico José Braga Ribeiro Neto, conhecido como J. Braga, atuante como eu no site www.portalcafebrasil.com.br, de Luciano Pires, e estudioso de religião.

Em troca de mensagens comigo, em minhas “Iscas” (Malediscas), J. Braga se disse cristão-católico não adepto do zoroastrismo. Lembrou que não aceita o raciocínio maniqueísta, o qual considera simplista e equivocado, e que Santo Agostinho, há mais de milênio, já questionava o maniqueísmo. Que para ele, J. Braga, todo maniqueísmo é burro. Finalizou dizendo que, como sou portador igualmente de raciocínio maniqueísta, sou burro também. Concordei com J. Braga que todo maniqueísmo é burro, por ser simplista, e assim respondi a ele:

“J. Braga, o seu guia é Deus, uma fantasia. O meu é a razão, algo de concreto, com os pés no chão que, se você abandona, pode morrer no segundo seguinte. E a razão dita que estão no DNA da Igreja Católica e de todas as religiões a visão maniqueísta, como Deus vs. Diabo, bem vs. mal etc. Não sou eu que baseio meus argumentos nesse tipo de maniqueísmo, até porque sempre combati a leitura maniqueísta, por achar, como você, que se trata de simplificação barata.

As religiões, especialmente a sua, cristã-católica, é que são maniqueístas. Catolicismo é, em essência, maniqueísmo entre o bem e o mal. Catolicismo chega a ser sinônimo de maniqueísmo. Impressiona você, grande estudioso e entendedor das religiões e do cristianismo, não saber isso ainda. Ora, se as religiões estão estruturadas no maniqueísmo, especialmente entre o bem e o mal, e se, segundo você, todo maniqueísmo é burro, você e todas as religiões são burros também. Não parece lógico a você? E, por favor, não tome isto como ofensa, mas como mera constatação a partir de raciocínio lógico e científico que você mesmo expôs aqui. Só burro não saca.”

Outra prova cabal da inexistência de Deus deu-nos recentemente o cientista brasileiro Mário Novello. Em dissertação eivada de fórmulas, cálculos e equações, Novello demonstrou cientificamente que a origem do Universo não está no Big Bang e que o Universo não tem origem, é eterno e sempre existiu.

A demonstração de Novello já foi aceita pelo top da ciência e dada como correta, sem contestação. Se o Universo e a vida não têm criador, não foi Deus quem os criou. Assim, se tomarmos por Deus aquele que criou o Universo e a vida, Deus efetivamente não existe, posto que, já comprovou Novello, o Universo e a vida não têm criador.

Outra prova cabal da inexistência de Deus nos foi brindada pela ciência (por Darwin, em especial, ao pôr de pé a Teoria da Evolução). Ela já comprovou que o aparecimento da vida se deve à combinação de dados de realidade que se fizeram presentes na natureza, como a luz do Sol incidindo sobre a Terra etc. Comprovou também que a vida só surgiu por aqui porque tivemos o resfriamento do Planeta, fenômeno que resultou de processo que levou alguns bilhões de anos para ocorrer. Ou seja, a vida só apareceu na Terra porque, entre outros acontecimentos, houve esse duradouro processo de resfriamento.

A ciência também já comprovou que a vida surgiu por aqui a partir do fenômeno da replicação da molécula. Ou seja, a vida só despontou na Terra na forma de micro-organismos, dos quais derivaram todas as espécies, a partir da evolução. Somos todos originários desses mesmos micro-organismos, de as aves até os dinossauros. Darwin é quem descobriu: todas as espécies são resultado da evolução dessas primeiras formas micro-orgânicas de vida, em razão dos diferentes caminhos que cada uma delas tomou, ao longo de sua existência.

Isto significa que se passaram alguns bilhões de anos desde o resfriamento da Terra até o aparecimento da vida por aqui e outro tanto para a forja das espécies, na e pela evolução. O que nos leva a entender que foram necessários complexos processos de alguns bilhões de anos para que a vida surgisse na Terra e outro tanto para que a espécie humana despontasse no Planeta. Isto é, a vida surgiu por aqui aos poucos, lentamente, a partir de processos bastante duradouros.

Assim, a Teoria da Evolução, de Darwin, comprova que só a partir de um processo que durou alguns bilhões de anos tornou-se possível o aparecimento da vida e da espécie humana na Terra. E que, portanto, a vida no Planeta, inclusive a humana, não teve um criador, como Deus, pois o processo que a gerou não teve um começo, remonta à história da formação das galáxias, ou seja, ao infinito, no tempo e no espaço. A vida só surgiu na Terra em razão do que aconteceu antes e depois do Big Bang, vale concluir, não porque Deus a criou.

Isto levou a ciência a concluir que, se Deus existe, de qualquer maneira ele não é o criador nem do Universo nem da vida, como supõem as religiões. E cabem aqui mais essas perguntas:

1 - se Deus é o criador da vida, por que teria necessitado de todo esse tempo (infinito) para gerá-la?

2 - Por que teria gerado a vida primeiramente na forma de micro-organismos e depois os feito evoluir para que daí despontassem as espécies, em processos que normalmente duram bilhões de anos?

3 - Se Deus é mesmo Deus, inteligência superior, onisciente, onipresente e onipotente, não teria criado as espécies num único sopro, que não duraria mais do que segundos? Não seria mais rápido e inteligente assim? Não precisava nem ter descansado no sétimo dia.

4 - Supondo-se que Deus é mesmo o criador, contrariando toda a Teoria da Evolução (já cientificamente comprovada), como teria Deus gerado, por exemplo, a “espécie galinha”? Teria criado primeiro os ovos já prontos para chocar exemplares machos e fêmeas ou teria gerado uma galinha já madura e pronta para pôr ovos e chocá-los, tanto machos quanto fêmeas? Como se deu isso?

5 - A mesma pergunta em relação ao ser humano: como Deus o teria criado? Criou-o na forma de uma criança? Ou na de adolescente? Ou já como adulto? Ou na mera forma de embrião? Não o teria gerado na forma de espermatozóide e óvulo, brindando-lhes com o poder da fecundação e reprodução? Como Deus criou, afinal, a vida humana?


Por fim, podemos concluir de tudo isso que, se Deus existe, é no mínimo um sujeito lento e incapaz de criar dados de realidade, a não ser pelos caminhos mais complexos e tortuosos. Isto só prova que, se existe, Deus não é Deus, não tá com nada. Abraços a todos.


Fonte: Tom Capri (www.virobscurus.com.br/secao.asp?id=1&c_id=189)

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